POR QUE FAZER O CAMINHO DE SANTIAGO?

Caminho de Santiago

EU NÃO ESCOLHI O CAMINHO DE SANTIAGO, O CAMINHO ME ESCOLHEU

Cada pessoa tem a sua motivação pessoal para fazer uma viagem.

No caso do Caminho de Santiago, muitas pessoas que eu conheci, falaram que tiveram uma motivação espiritual, ou estavam em busca de alguma coisa, outras tiveram alguma espécie de chamado.

A minha motivação, pelo menos de forma consciente, não teve nada a ver com isso.


Sou filha de portugueses e apesar de nascida no Brasil, tenho dupla cidadania.

Nunca tive muito contato com minha família, mas com a doença do meu pai, começamos a nos falar e, após a sua morte, eu estava decidida em passar as minhas férias em Portugal.


Meu plano inicial era rodar de carro, indo até o Porto e depois, porque não ir até Compostela. Tão pertinho??

Montando meu roteiro, comecei a ler sobre pessoas que iam de bicicleta ou à pé.

Pensei em fazer o percurso do Porto até Santiago em bicicleta. Como eu estaria viajando sozinha, fiquei com receio de ter alguma queda, e isso prejudicar toda minha viagem.

Mudei os planos e refiz as pesquisas e encontrei algumas empresas que organizavam o roteiro para fazer o Caminho de Santiago à pé. Elas reservavam hotéis, levavam a mochila… organizavam tudo.

Como já tinha lido muito, comecei a não gostar do programa oferecido e notei que muitas pessoas – peregrinos – iam sozinhos, apesar de nunca ter me considerado uma peregrina até então.

Fuçando sites e grupos na internet, encontrei um grupo de uma Associação para ajudar os peregrinos que se aventuravam pelo Caminho Português até Santiago de Compostela.

Isso foi em Outubro/2017 e a minha viagem já estava marcada para Abril/2018. Li que algumas pessoas se preparavam por anos e eu ali, querendo fazer essa jornada dali a 6 meses.

Foi quando encontrei no Facebook um grupo que ajudava a tirar dúvidas sobre o Caminho Português. Entrei no Grupo e perguntei se era perigoso fazer o Caminho de Santiago sozinha, sem nada pre-organizado.

Vários peregrinos me motivaram a ir sozinha. Disseram que eu não teria problemas e que, no Caminho, ninguém está sozinho.

 

Em uma das respostas, uma peregrina me convidou a acompanhar a viagem dela pois ela estava fazendo o Caminho naquele exato momento e que estava compartilhando sua viagem no seu perfil.

 

Quando entrei no perfil dessa peregrina, descobri que ela era uma conhecida do trabalho e foi uma motivação adicional para eu tomar coragem.

 

Ela estava fazendo exatamente o Caminho Português. Além de acompanhar a sua viagem, ela me indicou uma outra Associação que tem sede no Rio de Janeiro, onde eu morava.

 

Essa outra Associação organizava reuniões mensais onde peregrinos que já haviam feito o Caminho passavam dicas e tiravam dúvidas para os marinheiros de primeira viagem.

 

Pronto! Estava decidido. Eu iria fazer o Caminho de Santiago.


Mas porque eu ia fazer isso? Porque eu ia caminhar por mais de 180 quilômetros, uma média de 20 quilômetros por dia, com uma mochila pesada nas costas??

 

Naquele momento, a minha única motivação era o grande desejo de conhecer mais Portugal, e com essa caminhada, eu teria oportunidade de conhecer cidades e vilas, pessoas e paisagens, sob um outro ponto de vista.

 

Também tinha a questão do desafio. Provar a você mesmo sua capacidade de superar adversidades e de passar mais de uma semana com muito pouco.

 

E lá fui eu. Mudei todo meu planejamento inicial e encaixei o Caminho de Santiago na minha viagem a Portugal.

 

Essa Caminho viria a se transformar em um encontro com as minhas raízes, com as tradições dos meus antepassados e, mesmo sem saber, seria um encontro comigo mesma.

 

Em outros artigos eu vou falar sobre a organização do roteiro, a preparação física, a viagem em si e todo aprendizado que tive ao fazer o Caminho de Santiago.

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